quinta-feira, 18 de março de 2010

Domingo V da Quaresma, Ano C

LEITURA I Is 43, 16-21

«Vou realizar uma coisa nova: matarei a sede ao meu povo»

Leitura do Livro de Isaías
O Senhor abriu outrora caminhos através do mar,
veredas por entre as torrentes das águas.
Pôs em campanha carros e cavalos,
um exército de valentes guerreiros;
e todos caíram para não mais se levantarem,
extinguiram-se como um pavio que se apaga.
Eis o que diz o Senhor:
«Não vos lembreis mais dos acontecimentos passados,
não presteis atenção às coisas antigas.
Olhai: vou realizar uma coisa nova,
que já começa a aparecer; não a vedes?
Vou abrir um caminho no deserto,
fazer brotar rios na terra árida.
Os animais selvagens __ chacais e avestruzes __
proclamarão a minha glória,
porque farei brotar água no deserto,
rios na terra árida,
para matar a sede ao meu povo escolhido,
o povo que formei para Mim
e que proclamará os meus louvores».
Palavra do Senhor.


LEITURA II Filip 3, 8-14

«Por Cristo, considerei todas as coisas como prejuízo, configurando-me à sua morte»

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses
Irmãos:
Considero todas as coisas como prejuízo,
comparando-as com o bem supremo,
que é conhecer Jesus Cristo, meu Senhor.
Por Ele renunciei a todas as coisas
e considerei tudo como lixo,
para ganhar a Cristo
e n’Ele me encontrar,
não com a minha justiça que vem da Lei,
mas com a que se recebe pela fé em Cristo,
a justiça que vem de Deus e se funda na fé.
Assim poderei conhecer Cristo,
o poder da sua ressurreição
e a participação nos seus sofrimentos,
configurando-me à sua morte,
para ver se posso chegar à ressurreição dos mortos.
Não que eu tenha já chegado à meta,
ou já tenha atingido a perfeição.
Mas continuo a correr, para ver se a alcanço,
uma vez que também fui alcançado por Cristo Jesus.
Não penso, irmãos, que já o tenha conseguido.
Só penso numa coisa:
esquecendo o que fica para trás,
lançar-me para a frente, continuar a correr para a meta,
em vista do prémio a que Deus, lá do alto,
me chama em Cristo Jesus.
Palavra do Senhor.

EVANGELHO Jo 8, 1-11

«Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo,
Jesus foi para o Monte das Oliveiras.
Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo
e todo o povo se aproximou d’Ele.
Então sentou-Se e começou a ensinar.
Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus
uma mulher surpreendida em adultério,
colocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus:
«Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério.
Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres.
Tu que dizes?».
Falavam assim para Lhe armarem uma cilada
e terem pretexto para O acusar.
Mas Jesus inclinou-Se
e começou a escrever com o dedo no chão.
Como persistiam em interrogá-l’O,
ergueu-Se e disse-lhes:
«Quem de entre vós estiver sem pecado
atire a primeira pedra».
Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão.
Eles, porém, quando ouviram tais palavras,
foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos,
e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio.
Jesus ergueu-Se e disse-lhe:
«Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?».
Ela respondeu: «Ninguém, Senhor».
Disse então Jesus:
«Nem Eu te condeno.
Vai e não tornes a pecar».
Palavra da salvação.

Homilia Pe. Antoine Coelho, LC
Domingo V da Quaresma

Isaías, na primeira leitura deste domingo, mostra-nos com a eloquência que o caracteriza como o Senhor, no passado, realizou grandes coisas pelos judeus. Salvou-os da morte, da escravidão e dos seus inimigos. A imagem fundamental com a que se quer simbolizar esta salvação é o caminho através do mar, o qual, como sabemos, representa a morte, no mundo bíblico. Os egípcios ficaram sepultados debaixo das águas. Graças à intervenção de Deus, o que causou a morte aos egípcios foi caminho de salvação para os judeus. Cristo usará esta simbologia quando caminhará por cima das águas da Lago de Galileia, mostrando-se assim mais forte que a mesma morte.

Mas Isaías adverte que isso foi pouco e que, além disso, não devem olhar ter os olhos fixos no passado, mas para as novas obras de Deus. As civilizações humanas são as que, mais cedo ou mais tarde, quando chega o tempo da sua decadência, não podem senão limitar-se a olhar as grandes conquistas de outros tempos, pois as forças e energias humanas terminam por se cansarem. Também é natural que os homens, ao chegarem ao fim das suas vidas, tendam inexoravelmente a deixar que os seus pensamentos sejam prisioneiros do seu passado. Mas Deus revoluciona esta lógica. É o Deus da vida, é o Deus que nunca envelhece e que, por isso, confere a quem o ama uma força inesgotável de esperança.

“Olhai”, exclama Isaías, “vou realizar um coisa nova, que já começa a aparecer; não a vedes?” E qual é essa realidade nova? É um caminho, não já através do mar, mas através do deserto, ao longo do qual Deus vai “fazer brotar rios na terra árida”. Para matar a sede. Passar através do mar simbolizava o ser salvado da morte. Os rios de água simbolizam já a vida. Se Deus os tinha salvado da morte, antes, agora pretende dar-lhes a vida. Em que sentido?

O Evangelho pode ajudar-nos. Apresentam uma mulher pecadora a Jesus, alguém que foi surpreendido em flagrante delito de adultério e perguntam ao Senhor se a devem apedrejar, seguindo assim a lei de Moisés. Como é possível que a lei de Moisés seja tão dura? Cristo revela-nos a razão profunda noutra passagem do Evangelho, em que se discute se o marido deve ou não repudiar a mulher em certas ocasiões. Cristo responde que não, dado que no início não era assim, mas que, a causa da dureza dos corações, Moisés teve de permitir esta realidade.

É esta também, no fundo, a razão pela qual práticas, como o apedrejamento dos pecadores, tinham sido permitidas na lei antiga. Sim, os judeus escaparam da morte e da escravidão do Egipto, mas não totalmente, pois a morte ainda tem o seu poder, a causa da dureza do coração. É por esta razão que levam a Cristo a pecadora. Não lhes importa expor esta mulher a uma morte tão selvagem: conta somente o seu propósito de surpreender Jesus numa falta à lei. Essa mulher não é mais que um objecto em suas mãos. Isso é o que significa ter um coração duro. É um coração hermeticamente fechado, no qual o próximo não vive, não tem realmente um lugar, e está reduzido ao estado de coisa.

Cristo mostra bem qual é a verdadeira origem desta lei, e também o motivo profundo pelo qual o seu coração está duro, quando lhes diz que todo aquele que estiver sem pecado mande a primeira pedra. Esta resposta não é simplesmente uma astúcia de Cristo, para salvar-se de uma situação delicada. Diz-lhes implicitamente aos judeus algo de uma importância fundamental: tu que pecaste tantas vezes, não perdeste o direito à paciência de um Deus, que uma e outra vez espera a tua conversão, e agora não és capaz de ser paciente com esta mulher? A verdadeira lei, a única lei, é actuar com os outros como Deus actua com os homens.

Então vemos que esta terrível incapacidade de reconhecer o amor de Deus, o qual é paciente e perdoa aos homens, é a essência da dureza de coração e a razão fundamental pela qual nascem as obras da morte. Quem se sabe amado por Deus, ama. Quem sabe que o fundamento mesmo do universo, de tudo o que existe, me ama, torna-se capaz de amar todos e todas as coisas. E por isso mesmo, quem começa a ver Deus como uma realidade impessoal, uma espécie de energia, está atentando no ponto mais fundamental contra a sua capacidade de amar, de perdoar, de ir sinceramente ao encontro dos outros.

Mas voltemos ao texto de Isaías, que nos recorda que a grande obra de Deus será fazer brotar rios de água viva das terras áridas. Perguntávamo-nos em que sentido agora o Senhor pensava dar a vida. Ora bem, sabemos que, na Bíblia, os rios de água são o símbolo do Espírito Santo. Então, o novo grande milagre do Senhor, maior que o anterior, milagre de dar a vida ao povo, não significa outra coisa, que encher do seu amor os corações duros, os corações áridos. Mas sublinhemos bem isso: Deus não quer encher de amor os corações do homem, quer enchê-los do seu amor. Para que o homem deixe de amar fragilmente e finalmente comece a amar divinamente, a amar realmente como filho de Deus. Ou melhor ainda: para que o Espírito Santo ame nele.

Quando Cristo murmurará na cruz “tenho sede”, não se referirá a outra coisa senão isso: tem sede de contemplar os corações humanos repletos dessa água viva. Mas de onde vem essa água viva? Qual é a única fonte da mesma para o homem? É Cristo, é somente o seu coração: “Mas ao chegarem a Jesus”, diz São João, “como o viram já morto, não lhe romperam as pernas, mas um dos soldados trespassou-lhe o lado com uma lança e naquele instante saiu sangue e água”.

Mas em tudo isso existe um elemento importante de que nos recorda São Paulo e ao qual aludíamos ao início desta homilia. Para receber este dom da água viva em plenitude, devemos olhar para a frente e correr para a frente. O que Deus nos deu até agora é pouco comparado com o que ainda tem reservado. Mas atenção: subir ao encontro com Deus não é uma prova de alpinismo, em que o cansaço vai acumulando-se. Quem se vai aproximando de Deus, tem cada vez mais forças para subir e quem se vai afastando cada vez menos vontade de se acercar. Porquê? Porque as forças não vêm do homem, mas de Deus. No entanto, sempre existirá a tentação de parar, de se dar por satisfeito, de olhar para si e para as conquistas passadas.

São Paulo seria talvez a pessoa com mais direito a ter uma atitude deste género. Ele que “trabalhou mais que todos”, como nos recorda a carta aos Gálatas. E no entanto, aí está a grandeza de alma deste homem: “não penso, irmãos, que já o tenha conseguido; só penso numa coisa, esquecendo o que fica para trás, lançar-me para a frente, continuar a correr para a meta, em vista do prémio a que Deus, lá do alto, me chama em Cristo Jesus”.

Sim, não importa o que tenhamos feito no passado, seja isso bom ou até mesmo mau, como no caso da mulher pecadora. Deus espera-nos com os braços abertos. Todo um futuro se abre para a mulher pecadora, a qual segundo a justiça humana tinha perdido todo direito a um futuro. Rios de água viva hão-de brotar do seu coração árido, se ela for fiel à chamada de Deus, rios que a sua vez hão-de saciar a muitos. Que esta seja também a nossa santa ambição nesta vida.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Domingo IV da Quaresma, Ano C

LEITURA I  Jos 5, 9a.10-12

Tendo entrado na terra prometida, o povo de Deus celebra a Páscoa

Leitura do Livro de Josué
Naqueles dias,
disse o Senhor a Josué:
«Hoje tirei de vós o opróbrio do Egipto».
Os filhos de Israel acamparam em Gálgala
e celebraram a Páscoa,
no dia catorze do mês, à tarde,
na planície de Jericó.
No dia seguinte à Páscoa,
comeram dos frutos da terra:
pães ázimos e espigas assadas nesse mesmo dia.
Quando começaram a comer dos frutos da terra,
no dia seguinte à Páscoa,
cessou o maná.
Os filhos de Israel não voltaram a ter o maná,
mas, naquele ano,
já se alimentaram dos frutos da terra de Canaã.
Palavra do Senhor.

LEITURA II 2 Cor 5, 17-21

«Por Cristo, Deus reconciliou-nos consigo»

Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios
Irmãos:
Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura.
As coisas antigas passaram; tudo foi renovado.
Tudo isto vem de Deus,
que por Cristo nos reconciliou consigo
e nos confiou o ministério da reconciliação.
Na verdade, é Deus que em Cristo reconcilia o mundo consigo,
não levando em conta as faltas dos homens
e confiando-nos a palavra da reconciliação.
Nós somos, portanto, embaixadores de Cristo;
é Deus quem vos exorta por nosso intermédio.
Nós vos pedimos em nome de Cristo:
reconciliai-vos com Deus.
A Cristo, que não conhecera o pecado,
Deus identificou-O com o pecado por causa de nós,
para que em Cristo nos tornemos justiça de Deus.
Palavra do Senhor.


EVANGELHO Lc 15, 1-3.11-32

«Este teu irmão estava morto e voltou à vida»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo,
os publicanos e os pecadores
aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem.
Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo:
«Este homem acolhe os pecadores e come com eles».
Jesus disse-lhes então a seguinte parábola:
«Um homem tinha dois filhos.
O mais novo disse ao pai:
‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’.
O pai repartiu os bens pelos filhos.
Alguns dias depois, o filho mais novo,
juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante
e por lá esbanjou quanto possuía,
numa vida dissoluta.
Tendo gasto tudo,
houve uma grande fome naquela região
e ele começou a passar privações.
Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra,
que o mandou para os seus campos guardar porcos.
Bem desejava ele matar a fome
com as alfarrobas que os porcos comiam,
mas ninguém lhas dava.
Então, caindo em si, disse:
‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância,
e eu aqui a morrer de fome!
Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe:
Pai, pequei contra o Céu e contra ti.
Já não mereço ser chamado teu filho,
mas trata-me como um dos teus trabalhadores’.
Pôs-se a caminho e foi ter com o pai.
Ainda ele estava longe, quando o pai o viu:
encheu-se de compaixão
e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos.
Disse-lhe o filho:
‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti.
Já não mereço ser chamado teu filho’.
Mas o pai disse aos servos:
‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha.
Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés.
Trazei o vitelo gordo e matai-o.
Comamos e festejemos,
porque este meu filho estava morto e voltou à vida,
estava perdido e foi reencontrado’.
E começou a festa.
Ora o filho mais velho estava no campo.
Quando regressou,
ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças.
Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo.
O servo respondeu-lhe:
‘O teu irmão voltou
e teu pai mandou matar o vitelo gordo,
porque ele chegou são e salvo’.
Ele ficou ressentido e não queria entrar.
Então o pai veio cá fora instar com ele.
Mas ele respondeu ao pai:
‘Há tantos anos que eu te sirvo,
sem nunca transgredir uma ordem tua,
e nunca me deste um cabrito
para fazer uma festa com os meus amigos.
E agora, quando chegou esse teu filho,
que consumiu os teus bens com mulheres de má vida,
mataste-lhe o vitelo gordo’.
Disse-lhe o pai:
‘Filho, tu estás sempre comigo
e tudo o que é meu é teu.
Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos,
porque este teu irmão estava morto e voltou à vida,
estava perdido e foi reencontrado’».
Palavra da salvação.
Homilia Pe. Antoine Coelho, LC
Domingo IV da Quaresma

Nesta Quaresma não podíamos deixar de meditar sobre a parábola do filho pródigo. É o que nos propõe a liturgia para este quarto domingo de Quaresma. Mais que ouvir ou ler uma pregação ao respeito, deve ser meditada com calma. Convém que cada um de nós tome a parábola (Lc 15,11-32), a leia sem pressa e possa usá-la como ponto de partida para um diálogo com Deus de coração a coração.

Porque é tão importante este Evangelho? Pois aqui, Deus revela-nos com clareza extraordinária o seu coração de Pai. Quem diante do mal deste mundo, das suas misérias e pecados, duvide que possa existir um Deus bom, pois “Deus seguramente não permitiria tais coisas” deveria reflectir sobre quanto está dito nesta passagem. Um teólogo protestante do século passado, Moltmann, perguntava-se se ainda podíamos falar de Deus depois de Auschwitz. Ele mismo deu a resposta: “Depois de Auschwitz, somente pode-se falar de Deus”. Pois os campos de concentração mostraram claramente aquilo de que o homem é capaz sem o Senhor.

Sim, quem lê, contempla, medita neste trecho dá-se conta que aqui há um tal amor de Deus pelo homem, que nada é mais urgente, hoje em dia, que reintroduzir Deus em todas as dimensões da nossa vida. O filho mais novo da história, é precisamente o que busca evitar. Sente um grande tédio pela casa paterna, ou seja, um grande tédio pelas coisas de Deus. Nunca as entendeu, porque nunca quis abandonar a própria lógica. É como os interlocutores de Cristo durante a sua Paixão. Pilatos pergunta ao Senhor quem é Ele. Cristo não responde. Efectivamente Deus não responde a quem o busca centrado fundamentalmente no interesse próprio. Ou melhor: Deus sempre fala de alguma maneira, sempre responde, mas não o pode ouvir quem só se ouve a si mesmo. Quem sai dos estreitos confins de si mesmo, dos seus esquemas mentais, dos seus conceitos e hábitos demasiado pessoais, descobre, do outro lado da sua porta, um mundo resplandecente, porque através dele, de modo misterioso, precisamente quem resplandece é Deus.

Mas o filho mais novo nunca entendeu essas coisas, não é capaz de apreciar a beleza da vida com o pai. Esse pai, por mais bondoso que seja, é um limite para ele, é uma barreira para tantas coisas divertidas, que vê talvez os amigos realizarem. Por isso, pede a herança. E o mais curioso é que o pai a dá, sem oferecer o “não” rotundo que todos esperaríamos. Mas é que não se importa com o filho?

Este “dar a herança” aparentemente sem grandes resistências, é um episódio que se repetiu inúmeras vezes na história da humanidade. Acontece cada vez que o homem apodera-se da criação, sem qualquer referência ao Criador. Não poderá gozar assim mais da criação? Mas é nestas decisões que começa o que mais tarde originará os Auschwitz, os campos de concentração siberianos, os abortos em massa, as guerras fratricidas, as limpezas étnicas, e, já antes, as quase ilimitadas trafulhices, injustiças e enganos que compõem a vida sobre esta terra. Porque Deus dá tantas facilidades ao homem contemporâneo para “gozar da herança”, para desenvolver a ciência, a economia, a política de forma irresponsável? Diante disso, há quem pense que Deus não pode ser uma realidade pessoal, consciente, inteligente, capaz de amar.

O que não vêm é que é precisamente porque ama o filho, que o pai o deixa sair de casa. Retirar-lhe esta liberdade é destrui-lo, é encerrá-lo numa prisão. Quando Deus criou o homem, fez-lhe esse dom incrível da liberdade e sabia bem o risco implicado. É como quando pais têm um filho. Sabem que esse filho pode tornar-se o inferno da sua vida, pois é livre, mas é preciso amar pouco para não o querer ter. Era tão grande o amor de Deus e o dom da vida que fazia, que estava disposto a sofrer o que fosse necessário para mantê-lo. A história ensinou-nos na cruz, até que ponto Deus foi capaz de amar a liberdade da sua criatura.

Conhecemos o que segue na parábola. A vida corre mal ao filho ingrato, como não podia deixar de ser. Mostrou que não sabia amar. Como lhe podia correr bem a vida? Termina arruinado e deve dedicar-se a cuidar de porcos. Suprema humilhação para um judeu! Chegou ao ponto mais baixo possível. Aqui também a história da humanidade oferece-nos exemplos inesgotáveis. O homem sem Deus chega a uma violência, uma brutalidade, um atropelo à própria dignidade, de que os animais são absolutamente incapazes. Mas no ponto mais baixo chega a luz, às vezes a luz mais forte que se possa imaginar. Não é na cruz, ou seja, no assassínio de Deus, onde brilha mais que nunca o amor de Deus? Não foi em Auschwitz onde brilhou Maximiliano Kolbe, que tomou o lugar de um condenado a morrer de fome e de sede?

Mas é também nestes infernos que o homem cria, onde ele se pode olhar como num espelho: “eis o que me tornei porque não aceitei que Deus habitasse em mim”. Feito para ser templo de Deus, se expulsa o seu Senhor, se proclama a “morte de Deus”, como alguns pensadores do século XIX e XX, ficam abertas as portas para as mais terríveis possibilidades. E é também porque as forças do mal não permanecem ociosas. Certa vez, um jornalista, para burlar-se da crença cristã ao respeito da existência objectiva de forças espirituais malignas, perguntou ao cardeal Lustiger se acreditava no diabo. E quando este respondeu que sim, ainda mais irónico o jornalista gracejou: “Ah, sim? Pois diga-me onde o vê?” Como se somente existisse o que podemos ver e tocar…Pois bem, o cardeal retorquiu: “Sim, eu vi o diabo nas câmaras de gás de Auschwitz”.

Mas o homem não é definitivamente um prisioneiro das forças do mal, porque Deus é misericórdia. Com efeito a misericórdia de Deus é a verdadeira liberdade do homem, o que lhe impede ser um boneco dos seus instintos e dos poderes malignos. Vemos essa misericórdia tocar o coração do filho pródigo, como um raio que vem de Deus e o leva a reflectir no meio das suas horas mais sombrias. “Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores”.

Quão pouco conhecia o coração do próprio pai. Não admira que o tivesse abandonado…Como se o pai, ao seu regresso, pensaria em castigos ou em vinganças, como se não fosse capaz de perdoar. A justiça existe e é necessária. O mal que esse filho fez a si mesmo, ele terá de pagá-lo de alguma forma, pois não será fácil, depois de se ter dedicado aos vícios, reaprender a virtude. Existe a necessidade de purificação. Que responsabilidade existiria se nunca ninguém tivesse que pagar pelos próprios erros? E que classe de amor paterno seria este se não chamasse os filhos à responsabilidade? O amor não é real sem a justiça. Mas a misericórdia é largamente superior à justiça num autêntico coração paterno como o de Deus. Neste sentido, a parábola fala por si mesma:

“Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa”.

Um último comentário. Como sabemos, a história não acaba aqui. Chega o momento da rebelião do filho mais velho. Chega a sua vez. Porquê? Porque se festeja o regresso do mais novo. Mais ainda: não se podia imaginar uma festa maior naquela casa. A prova é que se matou o vitelo gordo. O filho mais velho sentirá algo de inveja, certamente. Mas não é só isso. Há algo mais profundo. Também ele não compreende o coração do pai. O seu coração é fiel, cumpre, obedece, mas tudo é ainda muito exterior. Não chega a uma comunhão com o pai. Não chega ao amor maduro. De facto, em vez de se alegrar com o regresso do irmão mais novo, fica terrivelmente aborrecido ao ponto de já não querer entrar em casa. O filho mais novo abandonara a casa. Agora o filho mais velho fica plantado diante dela sem querer entrar. Bela imagem do que, no fundo, foi a sua vida até este momento.

Podemos ser às vezes um pouco como esse filho mais velho. Fazemos as nossas orações, cumprimos com a missa dominical, damos esmola, ou seja, cumprimos com os dez mandamentos. Mas será que somos como esse pai que vai com beijos ao encontro do filho que o traiu? Da a impressão que esse pai não sabe pensar na própria honra ferida. É como Cristo completamente nu, pregado a uma cruz. Não é indecente que Deus se preste isso? Não é demasiada humilhação? Não está Deus a perder credibilidade? Não. Está simplesmente a dar-nos uma grande lição de amor. A grande lição do amor. Depois disso, como diz São Bernardo, a medida do amor é amar sem medida.

Peçamos muito a Deus a graça de compreender com o coração essas coisas, que são tão afastadas do modo como o mundo entende a vida. Por isso, é tão necessário não se limitar a ler esta parábola, mas meditá-la sem pressa, no silêncio da oração, aí onde Deus nos dá lições magistrais de vida.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Domingo III da Quaresma, Ano C

LEITURA I Ex 3, 1-8a.13-15

«O que Se chama ‘Eu sou’ enviou-me a vós»

Leitura do Livro do Êxodo
Naqueles dias,
Moisés apascentava o rebanho de Jetro,
seu sogro, sacerdote de Madiã.
Ao levar o rebanho para além do deserto,
chegou ao monte de Deus, o Horeb.
Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor
numa chama ardente, do meio de uma sarça.
Moisés olhou para a sarça, que estava a arder,
e viu que a sarça não se consumia.
Então disse Moisés: «Vou aproximar-me,
para ver tão assombroso espectáculo:
por que motivo não se consome a sarça?»
O Senhor viu que ele se aproximava para ver.
Então Deus chamou-o do meio da sarça:
«Moisés, Moisés!»
Ele respondeu: «Aqui estou!»
Continuou o Senhor:
«Não te aproximes daqui.
Tira as sandálias dos pés,
porque o lugar que pisas é terra sagrada».
E acrescentou: «Eu sou o Deus de teu pai,
Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob».
Então Moisés cobriu o rosto,
com receio de olhar para Deus.
Disse-lhe o Senhor:
«Eu vi a situação miserável do meu povo no Egipto;
escutei o seu clamor provocado pelos opressores.
Conheço, pois, as suas angústias.
Desci para o libertar das mãos dos egípcios
e o levar deste país para uma terra boa e espaçosa,
onde corre leite e mel».
Moisés disse a Deus:
«Vou procurar os filhos de Israel e dizer-lhes:
‘O Deus de vossos pais enviou-me a vós’.
Mas se me perguntarem qual é o seu nome,
que hei-de responder-lhes?»
Disse Deus a Moisés:
«Eu sou ‘Aquele que sou’».
E prosseguiu:
«Assim falarás aos filhos de Israel:
O que Se chama ‘Eu sou’ enviou-me a vós».
Deus disse ainda a Moisés:
«Assim falarás aos filhos de Israel:
‘O Senhor, Deus de vossos pais,
Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob,
enviou-me a vós.
Este é o meu nome para sempre,
assim Me invocareis de geração em geração’».
Palavra do Senhor.

LEITURA II 1 Cor 10, 1-6.10-12


A vida do povo com Moisés no deserto foi escrita para nos servir de exemplo

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios
Irmãos:
Não quero que ignoreis
que os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem,
passaram todos através do mar
e na nuvem e no mar,
receberam todos o baptismo de Moisés.
Todos comeram o mesmo alimento espiritual
e todos beberam a mesma bebida espiritual.
Bebiam de um rochedo espiritual que os acompanhava:
esse rochedo era Cristo.
Mas a maioria deles não agradou a Deus,
pois caíram mortos no deserto.
Esses factos aconteceram para nos servir de exemplo,
a fim de não cobiçarmos o mal,
como eles cobiçaram.
Não murmureis, como alguns deles murmuraram,
tendo perecido às mãos do Anjo exterminador.
Tudo isto lhes sucedia para servir de exemplo
e foi escrito para nos advertir,
a nós que chegámos ao fim dos tempos.
Portanto, quem julga estar de pé
tome cuidado para não cair.
Palavra do Senhor.

EVANGELHO Lc 13, 1-9


«Se não vos arrependerdes, morrereis do mesmo modo»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
vieram contar a Jesus
que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus,
juntamente com o das vítimas que imolavam.
Jesus respondeu-lhes:
«Julgais que, por terem sofrido tal castigo,
esses galileus eram mais pecadores
do que todos os outros galileus?
Eu digo-vos que não.
E se não vos arrependerdes,
morrereis todos do mesmo modo.
E aqueles dezoito homens,
que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou?
Julgais que eram mais culpados
do que todos os outros habitantes de Jerusalém?
Eu digo-vos que não.
E se não vos arrependerdes,
morrereis todos de modo semelhante.
Jesus disse então a seguinte parábola:
«Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha.
Foi procurar os frutos que nela houvesse,
mas não os encontrou.
Disse então ao vinhateiro:
‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira
e não os encontro.
Deves cortá-la.
Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’
Mas o vinhateiro respondeu-lhe:
‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano,
que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo.
Talvez venha a dar frutos.
Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».
Palavra da salvação.

Homilia Pe. Antoine Coelho, LC
Domingo III da Quaresma

A liturgia deste terceiro domingo de Quaresma oferece-nos uma passagem do Evangelho que interpela fortemente a nossa responsabilidade. Tudo começa com uma pergunta dos apóstolos a Cristo: não será que os galileus que foram massacrados por Pilatos, padeceram desta forma, porque eram mais pecadores que os outros?

Cristo insurge-se contra esta visão das coisas. O destino dos homens sobre a terra está ligado ao mistério da Vontade divina, cuja compreensão sempre estará fora do nosso alcance. Não a podemos interpretar de forma tão linear. De facto, parece ser que, recentemente, um pastor americano terá defendido que o terramoto em Haiti era fruto de práticas mágicas nesta ilha. Creio que o Evangelho de hoje nos dá a melhor resposta a este tipo de afirmações.

Mas Cristo não se limita a dar uma negativa. Chama a atenção dos apóstolos para o facto de que eles não devem perder o seu tempo a conjecturar se tal ou qual pessoa era pecadora, mas devem pensar na própria conversão. “Se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo”. Madre Teresa de Calcutá costumava dizer que o tempo empregado em criticar uma pessoa, era tempo perdido para rezar por essa pessoa. Também recordava às suas religiosas que, quando criticávamos, perdíamos de vista que éramos os primeiros a necessitar do perdão de Deus. O trabalho por dominar a língua poderia ser um bom propósito para esta Quaresma. Às vezes, podemos pensar que o tipo de sacrifícios requeridos para este tempo de penitência é sobretudo físico. Não, antes pelo contrário. É o espírito que deve mudar. E mudando, muda todos os que o rodeiam.

Recentemente um jovem francês redigiu uma colectânea integrando grande parte dos apostolados que se fazem no seu país. Pelos vistos, não lhes falta imaginação aos católicos franceses, quando se trata de evangelizar, pois a lista era extensa. Entrevistado, perguntaram ao jovem, qual era na sua opinião o que transformaria de novo a França num país católico. Realmente, ele tinha visto e estudado muitos apostolados. Podia ter mencionado alguns deles, que tinham sido muito bem sucedidos. Mas não hesitou na resposta: o que transformará a França é a caridade dos católicos. Sim, o que transformará o mundo é o amor com que nos amemos uns aos outros.

Como é importante recordar que a nossa conversão diária ao cristianismo é uma conversão ao amor, a um amor que se deve viver da forma mais concreta no dia-a-dia. Só Deus saberá o que vale um simples sorriso quando o estado de ânimo é totalmente contrário! Mas seguramente valerá muito aos Seus olhos.

Cristo, como é costume, não se limita a dar aos apóstolos uma resposta teórica. Conta uma parábola. Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Depois de três anos, não dava ainda fruto, pelo que decidira já cortá-la. Mas aí intervém o vinhateiro: “Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar fruto. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano”.

A lição de Cristo situa-se a dois níveis nesta parábola. Em primeiro lugar, o tempo da conversão não é infinito, e, por isso, todos nós devemos buscá-la agora, hoje, dado que não sabemos o que sucederá amanhã. Na parábola, esperou-se três anos. O número “três” não é casual: indica plenitude. Já a conversão devia ter-se produzido se a pessoa, que a figueira simboliza, tivesse mostrado um mínimo de boa vontade. Ou seja, ela parece ter optado definitiva pelo egoísmo: o “pedaço de terra” que ela ocupa é só para ela, não produz frutos para os outros. Recusa o mundo no qual ela mesma está enraizada, um mundo criado para o amor, para a partilha, aproveitando a paciência e o amor dos outros somente para si. Por isso, não tem sentido que permaneça nele.

Na parábola, a figueira está aparentemente condenada, mas eis que surge o factor que pode dar a volta à situação, e aqui chegamos ao segundo ponto da lição. Aparece o vinhateiro que encarna uma atitude totalmente oposta à dos apóstolos, quando estes julgavam os galileus massacrados por Pilatos. Consideram estes galileus “de longe”, como se nada ou pouco os unisse a eles. Interessa-lhes o seu pecado, movidos pela curiosidade, como um estudioso se interessaria por um objecto que não o toca pessoalmente. Em poucas palavras, o seu coração ainda não foi transformado interiormente por Cristo.

O vinhateiro, pelo contrário, não tem tempo para este tipo de considerações teóricas ou de simples curiosidade: quer salvar a figueira. Sim, ela foi egoísta, mesquinha e não merece favores. Mas, o que ela merece ou deixa de merecer é-lhe absolutamente secundário: ela tem de ser salvada. Apenas isso conta para ele. É como uma mãe que não deixa de fazer tudo o que pode pelo filho, ainda que este seja o maior pecador do mundo. Por isso, o vinhateiro, que, no fundo, representa Cristo, encarna o modelo para toda conversão, encarna o homem para quem ninguém é indiferente, porque todos têm lugar no seu coração.

Existe assim um primeiro nível de conversão requerido, simbolizado pela figueira, a qual deve deixar de viver para si mesma e deve pôr-se a caminho sem hesitações. “O tempo é breve”, anunciava Cristo, quando pregava o Reino de Deus. “Convertam-se!” Sim, ainda que tenha anos de vida diante de si, o tempo do pecador é sempre demasiado curto para o nosso Deus, que, com entranhas de mãe, não pode sofrer vê-lo perdido para sempre.

Mas Cristo quer propor aos seus apóstolos um segundo nível de conversão. Trata-se do nível realmente cristão, porque é o nível de Cristo. Consiste em formar em si um coração misericordioso e generoso, desejoso ardentemente de conseguir a salvação dos irmãos. A conversão do homem não é plena, se não busca ardentemente a conversão do próximo em dificuldade. Mas não é um desejo vão ou inútil. Cristo diz-nos claramente nesta parábola que a acção do homem zeloso pode conseguir a salvação daquele que, de outro modo, estaria perdido.

Há algo mais importante que isso na vida: ser pescador de homens? E não se precisa vestir uma batina para sê-lo, está ao alcance de todo homem de boa vontade. Basta fazer tudo por amor, buscando a vontade de Deus em tudo, o que implicará não ter medo de anunciar a Palavra. Obviamente isso requer uma vida de oração, que nos permita conhecer, por “experiência interior”, o amor de Deus. Quem tenha sido tocado por esse fogo que nos seduz sentirá espontaneamente um desejo irresistível de ir ao encontro do próximo. O vinhateiro terá de cavar ao redor da figueira, deitar-lhe adubo, cuidá-la todo um ano. Se lhe perguntarem se todo esse trabalho lhe custa, talvez os mire com estranheza e lhes responda simplesmente: “Mas faço isso por amor”.

Rezemos muito uns pelos outros, para que esse amor divino seja a nossa experiência nesta Quaresma e não se limite a ser uma bela ideia, mas algo vivo e real, algo tão forte, que não podamos deixar de comunicá-lo. Como diz o profeta Jeremias ao respeito da Palavra de Deus, “havia em meu coração como um fogo devorador, encerrado em meus ossos e ainda que eu buscasse afogá-lo, não podia”.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Domingo II da Quaresma

LEITURA I Gen 15, 5-12.17-18


Deus estabelece a aliança com Abraão

Leitura do Livro do Génesis
Naqueles dias,
Deus levou Abrão para fora de casa e disse-lhe:
«Olha para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar».
E acrescentou:
«Assim será a tua descendência».
Abrão acreditou no Senhor,
o que lhe foi atribuído em conta de justiça.
Disse-lhe Deus:
«Eu sou o Senhor
que te mandou sair de Ur dos caldeus,
para te dar a posse desta terra».
Abrão perguntou:
«Senhor, meu Deus,
como saberei que a vou possuir?»
O Senhor respondeu-lhe:
«Toma uma vitela de três anos,
uma cabra de três anos e um carneiro de três anos,
uma rola e um pombinho».
Abrão foi buscar todos esses animais,
cortou-os ao meio
e pôs cada metade em frente da outra metade;
mas não cortou as aves.
Os abutres desceram sobre os cadáveres,
mas Abrão pô-los em fuga.
Ao pôr do sol,
apoderou-se de Abrão um sono profundo,
enquanto o assaltava um grande e escuro terror.
Quando o sol desapareceu e caíram as trevas,
um brasido fumegante e um archote de fogo
passaram entre os animais cortados.
Nesse dia, o Senhor estabeleceu com Abrão uma aliança,
dizendo:
«Aos teus descendentes darei esta terra,
desde o rio do Egipto até ao grande rio Eufrates».
Palavra do Senhor.

LEITURA II Filip 3, 17 -- 4,1

Cristo nos transformará à imagem do seu corpo glorioso

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses
Irmãos:
Sede meus imitadores
e ponde os olhos naqueles
que procedem segundo o modelo que tendes em nós.
Porque há muitos,
de quem tenho falado várias vezes
e agora falo a chorar,
que procedem como inimigos da cruz de Cristo.
O fim deles é a perdição:
têm por deus o ventre,
orgulham-se da sua vergonha
e só apreciam as coisas terrenas.
Mas a nossa pátria está nos Céus,
donde esperamos, como Salvador, o Senhor Jesus Cristo,
que transformará o nosso corpo miserável,
para o tornar semelhante ao seu corpo glorioso,
pelo poder que Ele tem
de sujeitar a Si todo o universo.
Portanto, meus amados e queridos irmãos,
minha alegria e minha coroa,
permanecei firmes no Senhor.
Palavra do Senhor.


EVANGELHO Lc 9, 28b-36

«Enquanto orava, alterou-se o aspecto do seu rosto»

Naquele tempo,
Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago
e subiu ao monte, para orar.
Enquanto orava,
alterou-se o aspecto do seu rosto
e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente.
Dois homens falavam com Ele:
eram Moisés e Elias,
que, tendo aparecido em glória,
falavam da morte de Jesus,
que ia consumar-se em Jerusalém.
Pedro e os companheiros estavam a cair de sono;
mas, despertando, viram a glória de Jesus
e os dois homens que estavam com Ele.
Quando estes se iam afastando,
Pedro disse a Jesus:
«Mestre, como é bom estarmos aqui!
Façamos três tendas:
uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias».
Não sabia o que estava a dizer.
Enquanto assim falava,
veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra;
e eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem.
Da nuvem saiu uma voz, que dizia:
«Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O».
Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou sozinho.
Os discípulos guardaram silêncio
e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.
Palavra da salvação.

Homilia Pe. Antoine Coelho, LC

Domingo II da Quaresma

Quem ler a liturgia deste segundo domingo de Quaresma pode ficar surpreendido. Neste período de purificação e de preparação para a Pascoa porquê escolheu-se a passagem da transfiguração? A Transfiguração fala-nos da glória de Cristo, da luz que Ele reserva aos eleitos. Não deveríamos falar agora de sacrifício? Claro que a Quaresma é tempo de sacrifício, mas recordemos que o sacrifício só tem sentido em ordem à glória.

Sacrificar-se por sacrificar-se é doentio. Sacrificar-se em ordem ao triunfo de Deus e dos eleitos é amor. Quem na Quaresma não tem os olhos postos na luz futura, quem o faz com profunda tristeza e angústia, não faz realmente um sacrifício cristão. O sacrifício, como Deus o quer, deve ser forçosamente alegre, imerso na paz, mesmo se às vezes esta alegria e esta paz somente aparecem numa dimensão profunda, enquanto tudo o resto da nossa vida anda às cambalhotas.

A passagem da Transfiguração está relacionada com a primeira leitura – do livro do Génesis – na qual o autor sagrado nos apresenta a promessa de Deus a Abraão. É um texto tão denso de significado e tão rico, que vale a pena dedicar-lhe o resto da homilia, sempre à luz da glória que aparece no Evangelho, dado que esta última é o cumprimento da promessa feita a Abraão, pai de todos os crentes.

Em primeiro lugar, Deus leva Abraão para fora de casa e pede-lhe olhar para o céu. É como se lhe dissesse: “Sai de ti mesmo! Olha o céu que é obra do poder do teu Deus!” Sim, Deus mostra-lhe a sua grande obra estrelada e, à sua luz, revela-lhe a grande obra que, a sua vez, deseja realizar com o pai dos crentes. Ele, que multiplicou quase infinitamente as estrelas, não pode realizar algo parecido com a descendência de Abraão? Tenhamos em conta que Abraão é já avançado em idade e não tem filhos. No mundo semítico daquela época, quem não tivesse filhos não tinha futuro, porque ninguém podia dar continuidade ao nome. Do ponto de vista humano, Abraão não tem futuro. Encontra-se na situação perfeita para que Deus mostre o seu poder, Ele que ama os pequenos e se compadece dos desfavorecidos e rejeitados.

Abraão acreditou na promessa. Isto é fundamental. Sem este acto, nada teria sido possível, pois Deus, que ama os homens e, por isso, não os violenta, teria ficado com as mãos atadas. Abraão tinha muitos bons motivos para não acreditar, excelentes motivos humanos. Com efeito, Deus não lhe oferecera mais que promessas e eram promessas tão gigantescas…

Mas Deus não se limita a fazer-lhe promessas. De algum modo dá-lhe um nome, o que tem muito valor no mundo antigo, porque o nome revela a pessoa. Eis o nome que o identifica: “Eu sou o Senhor que te mandou sair de Ur dos caldeus, para te dar a posse deste terra”. Então, o que é que caracteriza este Deus? É que ele faz Abraão sair da sua terra para lhe dar uma outra. Como sabemos, na mentalidade antiga os deuses eram ligados aos lugares, mas esse Deus, o Deus verdadeiro, que interpela Abraão, não depende de lugares, está acima deles. Antes pelo contrário, vai ao encontro dos homens aí mesmo onde vivem e dá-lhes novos lugares onde podem viver. No fundo, libera o homem do lugar onde se encontra confinado, e mais profundamente ainda, libera o homem de si mesmo. Este é o nome que implicitamente Deus dá de si mesmo a Abraão: eu sou Aquele que pode liberar o homem. Quando chegar a plenitude dos tempos e Deus se encarnar, não nos dará de facto outro nome: Jesus quer dizer “Deus salva”.

Mas surgem dúvidas em Abraão. Ele acreditou, foi generoso, mas ser uma pobre criatura frágil e limitada implica também altos e baixos: “Senhor, meu Deus, como saberei que a vou possuir, esta terra?” A resposta de Deus pode parecer-nos estranha à primeira vista. Manda-lhe oferecer um sacrifício. Mas na verdade, se pensarmos bem, as respostas às nossas dúvidas, não as encontramos muitas vezes no culto, durante as celebrações eucarísticas, por exemplo, onde a comunhão com o Senhor é máxima? E depois, o sacrifício preparado por Abraão é, em si, muito significativo. Trata-se na verdade de um pacto. Isto vê-se, porque cortaram-se ao meio os animais a serem oferecidos e foram postas cada metade em frente da outra metade.

No mundo semítico antigo, quando dois reis faziam um pacto, cortavam precisamente os animais pelo meio e cada um ia passando entre os pedaços de animais exclamando: “Se eu não for fiel ao pacto, que me aconteça como a estes animais”. Mas o que é curioso no pacto realizado com Deus, é que Abraão não passa entre os pedaços. Com efeito, “apoderou-se de Abraão um sono profundo […] Quando o sol desapareceu e caíram as trevas, um brasido fumegante e um archote de fogo passaram entre os animais cortados”. Sim, quem passou entre os animais foi Deus, simbolizado pelo fogo, mas não Abraão. E isso é muito importante: Abraão sabe que as promessas de Deus se vão cumprir, porque o pacto feito com Deus é unicamente uma iniciativa de Deus, é somente Deus a dar a sua palavra, é unicamente sobre ele que repousam as promessas.

Quem, por exemplo, se escandaliza com o passado da Igreja, ou mesmo, com situações mais recentes no seu seio, deveria meditar sobre isso. Deus abençoa a Igreja e continuará a abençoá-la até ao fim dos tempos, conforme a promessa de Cristo, mas não o fará pelos méritos dela. Fá-lo-á porque Ele se comprometeu com a própria Palavra. Claro que com isso não queremos dizer que a nível pessoal pouco importa o que fazemos, Deus nos salvará. Não. Deus não nos salvará sem a nossa cooperação. Mas sabemos que a Igreja é uma rocha que se manterá sempre firme e que o seu valor não repousa nela mesma.

Assim, Abraão pode ter fé no futuro, porque este futuro repousa inteiramente sobre Deus, e não sobre os homens ou sobre si mesmo. Abraão deverá continuar a acreditar e a avançar com fé e docilidade, sabendo que Deus abre os caminhos. Como muda a vida, quando se vive assim! O que ele tem de fazer é deixar Ur dos caldeus e não olhar para trás. A este propósito é bom recordar o que sucedeu à esposa de Lot, quando este deixou Sodoma. Olhou para trás! Ou seja, deixara o coração neste lugar, e por isso transformou-se numa estátua de sal. Tornou-se incapaz de avançar com Deus e de merecer as promessas, ficando o seu progresso espiritual paralisado.

A nós, Deus ofereceu-nos um sinal incomparavelmente mais explícito de que cumpriu e continuará a cumprir as suas promessas. Chama-me muito a atenção o facto de que São João evangelista mencione, no seu relato da Paixão de Cristo, que os soldados romperam as pernas dos dois ladrões crucificados com Ele. “Mas ao chegarem a Jesus, como o viram já morto, não lhe romperam as pernas […] E tudo isso sucedeu para que se cumprira a Escritura: não lhe quebrará nenhum osso”. Porquê falta de romper ou não romper pernas, quando o Senhor está já morto? Não é detalhe insignificante a estas alturas? Mas é que ao Senhor, não lhe podia suceder o mesmo que aos animais cortados no sacrifício de Abraão. Com isso a Escritura mostra-nos que, em Cristo crucificado, Deus cumpriu as promessas. Cumpriu o que prometera a Abraão quando passara entre os animais sob a forma do fogo! Em Aquele que está pendurado para o perdão dos nossos pecados deve residir toda a nossa fé e esperança. N’Ele torna-se evidentemente que é o amor infinito de Deus a querer levar-nos à Terra Prometida, à Jerusalém Celeste, com a condição de que como Abraão não deixemos nada em Ur dos caldeus, fiéis ao chamado de Deus que nos fala pela Igreja.

Como diz São Paulo, na segunda leitura, “a nossa pátria está nos céus onde esperamos, como Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo miserável, para o tornar semelhante ao seu Corpo glorioso”. Que esta seja a luz que nos ilumine neste caminho quaresmal, ao longo do qual queremos deixar de ter o coração posto nas coisas que passam.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Recolha de bens para a Madeira

Passamos um e-mail geral que recebemos hoje:

Campanha de recolha de bens essenciais para a envio para a Madeira:

A partir do dia 23/ Fevereiro, os CTT vão lançar uma campanha nacional de recolha de bens essenciais para envio para a Madeira, no âmbito do seu Programa de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social, com aceitação em todas as 900 Estações de Correio do País. Basta a qualquer pessoa dirigir-se a uma Estação de Correios, pedir a caixa solidária grátis, enchê-la com os bens e marcar como destinatário a palavra MADEIRA. Não é preciso selo nem mais morada e o envio é grátis. Os CTT tratam de entregar os bens.

A Instituição destinatária será a Caritas da Madeira que já informou que estavam a precisar principalmente dos seguintes produtos/bens:
- Lençóis
- Cobertores
- Mantas
- Almofadas
- Roupa interior (H/ S e criança)
- Roupa em geral
- Produtos de higiene
- Fraldas
- Leite em pó
- Comida para bebé
- Enlatados

Alguma dúvida, entre em contacto com uma estação de Correios perto de si.

A equipa,
Homilias e Orações

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Pio XII em auxílio dos judeus

Já tem algum tempo este texto, mas para quem não teve conhecimento está a sua transcrição:

A "prova viva" da existência da rede clandestina de Pio XII em auxílio dos judeus

Entrevista com um de seus membros, o padre Giancarlo Centioni

Por Jesús Colina

ROMA, quinta-feira, 14 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).- Alguns setores da opinião pública têm pedido, em semanas recentes, provas da ajuda oferecida por Pio XII aos judeus durante a perseguição nazista. O sacerdote italiano Giancarlo Centioni, 97 anos, é uma das provas vivas, já que é o último membro vivo da rede clandestina criada pelo Papa Pacelli.

Entre 1940 a 1945, Centioni foi capelão militar em Roma na Milícia Voluntária pela Segurança Nacional, tendo vivido com sacerdotes alemães da Sociedade do Apostolado Católico. “Na condição de capelão fascista, era mais fácil para mim ajudar os judeus ", disse ele, explicando por que foi escolhido para participar da arriscada operação.

“Meus colegas sacerdotes palotinos provenientes de Hamburgo tinham fundado uma sociedade denominada "Verein Rafael '(Society of San Raffaele), criada para prestar auxílio aos judeus", revelou.

Um dos objetivos da rede era dar suporte à fuga de judeus da Alemanha, através da Itália, em
direção à Suíça ou Portugal, motivo pelo qual a rede contava com membros nos quatro países.

Na Alemanha, lembra o padre Centioni, a sociedade era dirigida pelo padre Josef Kentenich, conhecido em todo o mundo como o fundador do Movimento Apostólico de Schönstatt.

Posteriormente, este sacerdote acabou sendo preso e mantido num campo de concentração até o final da guerra.

“Em Roma, o líder de todas estas atividades era o padre Anton Weber, o qual tinha contato direto com Pio XII e sua secretaria”, explicou.

Uma das principais atividades da rede consistia em obter passaportes para que as famílias judias pudessem deixar a Alemanha.

“Estes passaportes eram obtidos diretamente da Secretaria de Estado de Sua Santidade, pela intervenção direta do próprio Pio XII”, acrescentou.

“Comigo atuavam ao menos 12 sacerdotes alemães em Roma”, prosseguiu o padre, explicando que a rede recebia também uma ajuda decisiva da polícia, em particular do chefe adjunto de Mussolini, Romeo Ferrara, que lhe informava o local onde estavam escondidas as famílias judias para que pudessem levar os passaportes " – “mesmo à noite”.

Padre Centioni lembra uma dessas ocasiões, em que o policial o enviou durante a noite, advertindo-o para ir vestido com os trajes de Capelão para que “não fosse preso por soldados alemães”, a uma casa na qual estava escondida uma família judia de nome Bettoja.

O sacerdote diz lembrar “nitidamente” do medo e das dificuldades na operação, inclusive por parte das famílias que ajudava. “Bati à porta, mas não quiseram abrir. Disse então que não temessem, pois era um capelão e vinha para ajudar, para trazer os passaportes”; “juro, vocês podem ver através do olho-mágico da porta”, e então foi finalmente recebido pela senhora Bettoja com as crianças.

“Disse a ela: saiam amanhã antes das 7 em seu automóvel, porque às 7 poderão cruzar a fronteira pelo Lácio em direção a Gênova”. Fugiram e se salvaram. “Foi uma das tantas famílias”, disse.

As atividades da rede se iniciaram antes mesmo da invasão alemã na Itália, lembra o padre Centioni, e prolongou-se "até onde eu sei, até depois de 45, porque as relações do padre Weber com o Vaticano e os judeus eram muito vivas”.

"Entre aqueles que posteriormente colaboraram conosco, havia dois judeus que escondemos: um homem de letras, (Melchiorre) Gioia, e um grande músico e compositor de Viena, autor de canções e operetas, Erwin Frimm”.

“Todas pessoas de coragem”, disse. “Nos ajudaram muito com informações precisas” - reconheceu” – “mesmo colocando sua própria vida em risco”.

“Ajudei Ivan Basilius, um espião russo, que eu não sabia que era russo nem espião; era judeu. Foi preso pela SS e nas revistas, encontraram meu nome em suas anotações. Então, convocou-me a Santa Sé, sua excelência Hudal [alto e influente prelado alemão em Roma], dizendo: “venha para cá, pois a SS quer prendê-lo”. Perguntei: “Mas o que fiz?” - “Você ajudou um espião russo”. “Eu? Quem é?” - Então escapei.

Pe. Centioni, como capelão, conheceu pessoalmente o oficial alemão Herbert Kappler, comandante da Gestapo em Roma e autor do massacre das Fossas Ardeatinas, no qual 335 italianos foram assassinados, entre os quais muitos civis e judeus.

“Durante a invasão alemã, logo após a carnificina, perguntei a Kappler, a quem via com freqüência: por que não chamaram os capelães militares para as Fossas Andreatinas? E ele me respondeu: porque teria eliminado também eles”.

Pe. Centioni assegura que as centenas de pessoas que pôde ajudar tinham conhecimento de quem estava por trás de tudo. “Quem os ajudava era o Papa Pio XII, por meio de nós sacerdotes e da Raphael's Verein”, e através dos Verbitas, sociedade alemã em Roma. A entrevista foi concedida à Agência ZENIT e à Agência H2ONews (www.h2onews.org) e publicada nesta quinta-feira.

O caso do padre Centioni foi descoberto e investigado pela fundação Pave the Way (http://www.ptwf.org), criada pelo judeu nova-iorquino Gary Krupp.

Os relatos de Centioni são corroborados pela condecoração a ele concedida pelo governo polonês (“a cruz de ouro com duas espadas”, “pela nossa e pela vossa liberdade”).

O sacerdote citou outras expressões de gratidão por parte de algumas das pessoas que ajudou: os senhores Zoe e Andrea Maroni, os professores Melchiorre Gioia e Aroldo Di Tivoli, e as famílias Tagliacozzo e Ghiron, cujos filhos puderam se salvar, alcançando os EUA, com passaportes e recursos disponibilizados pelo Vaticano.

A entrevista pode ser assistida no site: www.h2onews.org