segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Estandarte de Natal - O Sucesso!



Temos oportunidade de verificar que muitas janelas de cidades e vilas portuguesas têm exposto este Estandarte de Natal com fundo vermelho e ao centro Jesus Cristo.

O sucesso, foi possível devido ao trabalho de um grupo de famílias cristãs, e pode ser adquirido nos respectivos locais de venda permanente.

Estão distribuidos cerca de 30.000 estandartes, e em muitos dos locais de venda, estão mesmo esgotados. Esperemos que para o próximo ano haja mais disponíveis para que na maioria das janelas se veja Cristo, na correria do nosso dia a dia pelas ruas das cidades, vilas e todas as localidades em geral.

Consultem a missão, locais de venda permanente, a mensagem do Pe. Hugo Santos (capelão da Universidade Católica Portuguesa) e outras informações desta iniciativa em: http://www.estandartesdenatal.org

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

IV Domingo Advento Ano C

LEITURA I Miq 5, 1-4a

«De ti sairá Aquele que há-de reinar sobre Israel»

Leitura da Profecia de Miqueias

Eis o que diz o Senhor:
«De ti, Belém-Efratá,
pequena entre as cidades de Judá,
de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel.
As suas origens remontam aos tempos de outrora,
aos dias mais antigos.
Por isso Deus os abandonará
até à altura em que der à luz

aquela que há-de ser mãe.
Então voltará para os filhos de Israel
o resto dos seus irmãos.
Ele se levantará para apascentar o seu rebanho
pelo poder do Senhor,
pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus.
Viver-se-á em segurança,
porque ele será exaltado até aos confins da terra.
Ele será a paz».
Palavra do Senhor


LEITURA II Hebr 10, 5-10

«Eu venho para fazer a vossa vontade»

Leitura da Epístola aos Hebreus

Irmãos:
Ao entrar no mundo, Cristo disse:
«Não quiseste sacrifício nem oblações,
mas formaste-Me um corpo.
Não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado.
Então Eu disse: ‘Eis-Me aqui;
no livro sagrado está escrito a meu respeito:
Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’».
Primeiro disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações,
não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado».
E no entanto, eles são oferecidos segundo a Lei.
Depois acrescenta: «Eis-Me aqui:
Eu venho para fazer a tua vontade».
Assim aboliu o primeiro culto
para estabelecer o segundo.
É em virtude dessa vontade
que nós fomos santificados
pela oblação do corpo de Jesus Cristo,
feita de uma vez para sempre.
Palavra do Senhor.


EVANGELHO Lc 1, 39-45

«Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naqueles dias,
Maria pôs-se a caminho
e dirigiu-se apressadamente para a montanha,
em direcção a uma cidade de Judá.
Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
Quando Isabel ouviu a saudação de Maria,
o menino exultou-lhe no seio.
Isabel ficou cheia do Espírito Santo
e exclamou em alta voz:
«Bendita és tu entre as mulheres
e bendito é o fruto do teu ventre.
Donde me é dado
que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?
Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos
a voz da tua saudação,
o menino exultou de alegria no meu seio.
Bem-aventurada aquela que acreditou
no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito
da parte do Senhor».
Palavra da salvação.


Homilia do Pe Antoine Coelho, LC

É belo contemplar, no Evangelho deste 4º Domingo de Advento, com que velocidade Maria se dirige à casa de Zacarias para ajudar a prima Isabel. Antes deste episódio, o evangelista São Lucas acabava de relatar a Anunciação do anjo a Maria. Este, depois de lhe anunciar que será Mãe do Filho de Deus, dá-lhe a conhecer que Isabel, estéril, dará à luz, “porque nada é impossível para Deus”. Maria então responde ao Anjo que é a serva do Senhor e que tudo seja feito segundo a sua palavra.

São João Baptista, ainda no ventre da Mãe, já está a exercer, de alguma forma, o ofício de precursor, anunciando com a sua vinda milagrosa, uma vinda ainda mais maravilhosa. O facto de Isabel dar à luz, é sinal para Maria da veracidade do anjo. No entanto, Maria não espera visitar a prima e assegurar-se de que está realmente grávida. Ao contrário de Zacarias, pai de João, ela acredita sem antes ver sinais. Ela faz parte daqueles que Cristo, depois da Ressurreição, chamará bem-aventurados porque, sem ver, acreditaram.

O que significou acreditar para Maria? Dar uma parte do seu ser – o ventre – a Deus? É serva do Senhor porque dá um pedaço de si? Não. Mais que o seio, ofereceu a Deus o coração. A prova disso é que se apressou a ir ao encontro da prima, para ajudá-la nas necessidades. Por isso, crer para ela tampouco significa pôr à disposição uma parte de sua vida, a que mais lhe convém. Maria é Mãe do Salvador debaixo da cruz, longe das lisonjas e das honras, oferecendo o coração trespassado pela dor. Crer, para ela, mais que uma segurança na vida, é dar a vida, como Cristo na cruz. E, por isso, sente-se mais segura que ninguém. Sente que a sua vida, porque dada completamente a Deus, está totalmente nas suas Mãos.

Tudo isso torna-se ainda mais claro quando analisamos o que significava a resposta de Maria à luz da segunda leitura da carta aos Hebreus. Ela responde ao anjo: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. Qual é então a palavra do anjo? Digamos, em primeiro lugar, que não é simplesmente uma palavra do anjo. É sobretudo Palavra de Deus porque transmite uma mensagem de parte de Deus. Esta palavra anuncia que o Filho de Deus vai encarnar-se no seio de Maria. Por isso, Maria, nesta resposta ao anjo, diz, no fundo, isso: “que se realize a Encarnação em mim”. O que acontece durante a Encarnação, a carta aos Hebreus no-lo descreve desta forma: “Ao entrar no mundo, Cristo disse: «Não quiseste sacrifício nem oblações, mas formaste-Me um corpo. Não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado. Então Eu disse: ‘Eis-Me aqui; no livro sagrado está escrito a meu respeito: Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’».

Por isso, em Maria e também ao longo da sua vida, vai realizar-se precisamente o que Cristo aqui diz. Toda a sua vida vai ser, no fundo, um repetir constantemente esta palavra com o seu Filho: “Pai, não queres coisas de mim, não queres holocaustos, nem sacrifícios, não queres pedaços do meu tempo, pedaços da minha atenção, alguma parte do meu coração. Nada disso te agrada realmente. O que queres é toda a minha vida, porque tu, sendo Deus, não podes merecer menos”.

Tudo isso recorda-nos Abraão, chamado na Bíblia o pai dos crentes, e por isso modelo da fé. Com Abraão, vai começar uma nova aventura de Deus com os homens, a aventura da sua salvação. Qual é a primeira coisa que Yahve lhe diz? “Deixa a tua terra e vai para aquela que eu te mostrarei!” Quem encontra Deus, não pode já ficar na sua “terra”, ou seja, não pode continuar a existir centrado em si mesmo. O primeiro efeito do encontro com Deus é a liberação de nós mesmos. Maria também, apenas acolhe a Palavra de Deus com fé, é levada até outra terra, a da sua prima, é levada até aos outros, porque a “terra dos outros”, a terra do serviço, por assim dizer, é a única pátria do cristão.

É custoso, tudo isso! Pensemos também que Maria teve que deixar de novo a sua terra, grávida de oito ou nove meses, para dar à luz Cristo. Como foi dura esta viagem! Mas é a mesma simbologia. Queres dar Cristo ao mundo? Queres dar ao mundo a única coisa que vale a pena dar-lhe? Então, deves deixar a tua terra, deves deixar esta casa que é somente a tua para ir a Belém, que significa em hebreu “a casa do pão”. Ou seja: deves ir a este lugar do serviço onde Deus quer alimentar todos os homens, não com coisitas que não saciam a fome, mas conSigo mesmo. No entanto, Deus não o fará se tu não viajares, como Deus não teria feito de Israel o povo eleito, se Abraão, levado pela fé, não se tivesse lançado nesta aventura.

É custoso, tudo isso, com efeito, mas Maria ensina-nos como ultrapassar o medo e a tentação de uma vida mais fácil. Ela responde ao anjo: “faça-se em mim segundo a tua Palavra.” Se vemos que Deus nos pede algo difícil, se vemos que existe algo da moral da Igreja que nos custa, não devemos actuar como uma senhora que, certo dia, diante de um ensinamento, respondeu-me: “Padre, isso que nos pede não é aplicável hoje em dia, já o apaguei da memória!” Que pena. Certamente sentimo-nos muitas vezes sem forças para aquilo que Deus nos pede. Mas isso não é uma situação anómala. É até querida por Deus, penso eu, porque isso obriga-nos a recorrer a Ele com fé. Todos os santos sentiram-se fracos e impotentes, mas, como Maria, souberam dizer “faça-se em mim segundo a tua Palavra”.

Recordemos que a palavra de Deus é criadora. Basta ler o primeiro capítulo do livro do Génesis: “E Deus disse: ‘que a luz seja e a luz foi….’” Neste relato, cada Palavra de Deus vai produzindo uma parte do mundo a partir de nada. Quem acolhe a Palavra de Deus no coração, embora saiba que não tem forças para cumprir a Vontade do Senhor, pelo poder desta Palavra, transformará o seu coração e tornar-se-á pouco a pouco capaz de seguir os mandamentos.

Vejam o que nos conta o profeta Jeremias que tanto medo tinha de falar de Deus: “a palavra de Yahve foi para mim um opróbrio e uma burla quotidiana. E eu dizia: ‘não tornarei a recordá-lo, nem falarei já em seu nome. Mas havia no meu coração algo parecido a um fogo ardente, que me consumia os ossos, e ainda que me esforçasse por afogá-lo, não podia’”. O profeta expôs-se muitos anos à Palavra de Deus e esta, pouco a pouco, penetrou-lhe tão profundamente na alma que não a podia já abandonar. Tinha de a comunicar, embora soubesse que lhe ia causar muitos problemas.

Que não sejamos como Zacarias, o pai de João Baptista. A sua atitude diante do anjo que lhe anuncia o nascimento do seu filho é completamente oposta à de Maria. Diante desta notícia, pede um sinal. Não crê sem sinais. Primeiro, Deus tem de descer ao seu mundo. Então, ele poderá dar-se. Mas na verdade, ainda que Deus desça, não se dará realmente. Porque a sua atitude básica é a de submeter Deus a si, não poderá reconhecer um Deus que é tudo menos isso. Se Maria, junto com os Reis magos que abandonaram tudo, pode acreditar que este menino que nasce tão pobremente é Filho de Deus, é porque ela mesma experimentou vitalmente o valor da pobreza e da humildade. O orgulhoso não pode compreender o Deus humilde e, ainda que lhe apareça, duvidará da veracidade daquilo que tem diante dos olhos. O castigo que receberá Zacarias é o de não poder falar até que João nasça. Quem não aceita a Palavra de Deus no coração, não tem realmente nada para dizer aos outros, nada que lhes possa realmente transmitir. Porque, para isso, o homem foi criado: para dar Deus. Ele é a imagem, a janela através do qual se entra em contacto com a Altíssimo: esta é a essência da sua vocação.

Já, dentro de pouquíssimos dias festejaremos o Natal, a vinda da Segunda Pessoa da Sma. Trindade, a qual é também chamada a Palavra ou Verbo de Deus. Acolhemo-la com generosidade no coração. Sabemos que Ela é muito grande para o nosso pobre coração, tão limitado por muitos motivos. Mas o facto é que Ela quer vir ao nosso coração. E Ela tem todo o poder para criar nele o espaço necessário para aí morar. Para isso, como Maria, sejamos homens de fé. Talvez tudo isso pareça absurdo para os doutos deste mundo, recorda-nos São Paulo, mas a sabedoria de Deus é a verdadeira sabedoria, mesmo se é loucura para os que pensam saber muito.





terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Ordenados 59 sacerdotes Legionários de Cristo em Roma

No Sábado 12 de Dezembro, foram ordenados 59 sacerdotes da ordem Legionários de Cristo.

Oriundos de vários locais do mundo, tiveram a sua ordenação sacerdotal na basílica de São Paulo Fora dos Muros, foi presidida pelo bispo Dom Brian Farrell.

Foram concelebrantes os bispos Dom Pedro Pablo Elizondo, Dom Jorge Bernal, arcebispo Dom Luigi de Magistris e Dom Paolo Schiavon.

No Domingo na oração do Angelus Bento XVI enviou uma saudação particular a estes recentes ordenados sacerdotes.

Dia 16, Bento XVI no final da audiência geral dirigiu-se aos peregrinos que estavam reunidos na sala Paulo VI com cumprimentos aos familiares e amigos destes sacerdotes e aos membros do Regnum Christi, movimento de apostolado pertecente aos Legionários de Cristo.

As fotos desta ordenação (fonte: http://www.legionariesofchrist.org)


















No ano passado por esta ocasião tivemos a ordenação sacerdotal do Pe. Antoine Coelho, LC que deixa as seguintes fotos.







quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

III Domingo Advento Ano C

LEITURA I Sof 3, 14-18a

«O Senhor exulta de alegria por tua causa»

Leitura da Profecia de Sofonias

Clama jubilosamente, filha de Sião;solta brados de alegria, Israel.Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém.O Senhor revogou a sentença que te condenava,afastou os teus inimigos.O Senhor, Rei de Israel, está no meio de tie já não temerás nenhum mal.Naquele dia, dir-se-á a Jerusalém:«Não temas, Sião,não desfaleçam as tuas mãos.O Senhor teu Deus está no meio de ti,como poderoso salvador.Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo,renova-te com o seu amor,exulta de alegria por tua causa,como nos dias de festa».
Palavra do Senhor.


LEITURA II Filip 4, 4-7

«O Senhor está próximo»

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses

Irmãos:Alegrai-vos sempre no Senhor.Novamente vos digo: alegrai-vos.Seja de todos conhecida a vossa bondade.O Senhor está próximo.Não vos inquieteis com coisa alguma;mas em todas as circunstâncias,apresentai os vossos pedidos diante de Deus,com orações, súplicas e acções de graças.E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência,guardará os vossos corações e os vossos pensamentosem Cristo Jesus.
Palavra do Senhor.

EVANGELHO Lc 3, 10-18

«Que devemos fazer?»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,as multidões perguntavam a João Baptista:«Que devemos fazer?»Ele respondia-lhes:«Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma;e quem tiver mantimentos faça o mesmo».Vieram também alguns publicanos para serem baptizadose disseram:«Mestre, que devemos fazer?»João respondeu-lhes:«Não exijais nada além do que vos foi prescrito».Perguntavam-lhe também os soldados:«E nós, que devemos fazer?»Ele respondeu-lhes:«Não pratiqueis violência com ninguémnem denuncieis injustamente;e contentai-vos com o vosso soldo».Como o povo estava na expectativae todos pensavam em seus coraçõesse João não seria o Messias,ele tomou a palavra e disse a todos:«Eu baptizo-vos com água,mas está a chegar quem é mais forte do que eu,e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias.Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo.Tem na mão a pá para limpar a sua eirae recolherá o trigo no seu celeiro;a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga».Assim, com estas e muitas outras exortações,João anunciava ao povo a Boa Nova».
Palavra da salvação.


Homilia do Pe Antoine Coelho, LC

Continuamos este domingo com São João Baptista, o grande precursor do Senhor, que nos anuncia a vinda iminente de Cristo e que nos mostra ao mesmo tempo que a conversão tem sentido. É mais fácil levantar o mundo e mudá-lo de lugar que “levantar-se” a si mesmo do egoísmo e liberar-se dele em profundidade. Mas vem Aquele que pode levar a cabo a nossa transformação.

O Evangelho diz-nos que as multidões perguntavam a João o que tinham de fazer. As multidões buscavam-no. Isso é curioso para alguém que fala de conversão. Não parece ser um tema do agrado do grande público. Mas era realmente assim tão curioso que o procurassem, quando lhes pedia sacrifícios e conversão?

Pensemos em todos os sacrifícios que somos capazes de fazer para nos mesmos. Conheço pessoas que realmente sofrem muito para poder manter a forma física. Eu mesmo, por exemplo, gosto de jogar futebol. Passados os 30 anos, cada jogo é um pequeno martírio, ao menos para mim. As articulações já não são feitas para movimentos tão bruscos. No entanto, não perco um único jogo.

Na verdade, nós, os homens, estamos naturalmente dispostos a fazer muitos sacrifícios e os aceitamos até de bom grado. O importante é sentirmos que nos sacrificamos por algo que podemos alcançar e por algo que amamos.

As pessoas ouviam João. Um homem de uma só peça. Um homem tão sensível a Deus ao ponto que tinha saltado no ventre da mãe, em presença de Nossa Senhora, que já levava no seio o Salvador. Diz-nos o quarto Evangelho que João tinha reconhecido o Senhor vendo o Espírito Santo permanecer sobre Ele. Por outras palavras, ele fora capaz de perceber a presença do Espírito, de tocá-la, de algum modo. Certamente este homem “tocava” Deus na sua vida de forma invulgar e quem o encontrava, de alguma forma, “tocava” o que ele “tocava”. Descobria que Deus não estava tão longe dos homens que não se pudesse alcançar de algum modo.

Além disso, quem encontra realmente Deus, seja por experiência própria, seja através de outro, normalmente deseja encontrá-lo mais e mais, mesmo se, com isso, tem de se sacrificar. É mais forte que ele, pois cada um de nós é feito para Deus, o espírito humano padece uma fome que só no Céu se saciará e que por este mundo buscamos satisfazer com notícias, sensações, sentimentos etc... Por isso, brotava espontaneamente do coração de quem ouvia João: o que devemos fazer para ter o que tu tens?Recordo um sacerdote amigo que me contava como tinha encontrado a vocação. Fora muito simples. Quando tinha 18 anos, certo dia, conversara com um sacerdote. Este impressionara-o muito porque falava de Cristo com tal familiaridade que parecia ter passeado com Ele aquela mesma manhã à beira do lago de Galileia. Dois mil anos separavam este padre da vida terrena de Cristo e, no entanto, encontrava-o espiritualmente e realmente cada dia. Quinze anos depois, o meu amigo recordava este momento com visível emoção. Vira por primeira vez, através de outra pessoa, Cristo vivo. Tocara o Senhor de leve e já começava a sonhar dar a vida por Ele. O que não será Deus na glória luminosa do Céu, para que aqueles que o acham na semi-escuridão deste mundo lhe entregam toda a vida, até ao ponto de as vezes morrerem como mártires?

São João não era um prometedor de vida fácil, um homem de ideias geniais, ou alguém que soube entender o seu tempo e responder às suas expectativas. Era simplesmente um amigo de Deus e quem se deparava com ele começava a amar Deus e a perguntar-se o que podia fazer para mudar.

No entanto, é preciso dizer que a resposta dada por João às pessoas era ainda insuficiente. Situava-se sobretudo no plano da simples moral e da justiça. Perguntavam-lhe de facto os soldados: «E nós, que devemos fazer?» Ele respondia-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». Vinham também alguns publicanos e João pedia-lhes que não exigissem mais do que o prescrito.

Não há comparação com aquilo que o Senhor instaurou. Zaqueu, publicano também ele, depois de ter recibido Cristo na sua casa, promete restituir quatro vezes mais daquilo que roubou. Com Cristo ultrapassamos a dimensão da justiça. Entramos no Reino do Amor. Cristo baptiza com o Espírito e não simplesmente com água. Essa é a diferença. Cristo não dá aos homens simplesmente uns quantos preceitos, umas quantas ideias. Só Ele derrama o Espírito Santo, Amor vivo que queima os corações. Porque só Deus pode derramar Deus.

Que diferença entre o dom de João e o de Cristo! E no entanto, é possível que muitos de nós, cristãos, vivamos ao nível de João, que não tenhamos entrado no coração do cristianismo, que é como um forno que nos consume o coração, que nos rouba a nós mesmos e nos leva a viver para os outros, num dimensão onde desaparecem as barreiras humanas. Acabo de me encontrar hoje com dois jovens franceses que decidiram fazer uma peregrinação a pé a Jerusalém, a partir de Paris passando por Roma. Não sabem onde hão de dormir cada noite! E no entanto podem tocar a Providência. Perguntei-lhes: “como fizeram para tomar esta decisão”. A resposta não podia ser mais simples e acertada: “o Espírito Santo inspirou-nos isso”. É Ele que nos leva a sair do nosso estilo de vida às vezes demasiado estreito e calculista.

O homem justo, correcto, honesto, sincero, altruísta tem, sem dúvida, muitos méritos, mas ainda não é cristão. Este tipo de pessoas pode existir em muitas culturas. Fará até muitas coisas para os outros, muitos sacrifícios, mas ainda existe uma barreira que o separa do próximo. Ele estende pontes entre o seu mundo e o do outro, mas no fim de contas cada um vive no seu próprio universo.

Quando o Espírito Santa derrama-se nos corações e quando encontra uma alma verdadeiramente aberta, cria uma comunhão que rompe todos os diques. Não é preciso já fazer um esforço para ser educado e amável para com o outro. Já se vive no outro! E o outro já habita em nós. As suas necessidades queimam as nossas entranhas. Imediatamente esta experiência faz-nos entender quanto fizeram sofrer o Senhor as nossas misérias, sobretudo as espirituais, e que coração de Pai tem Deus! Madre Teresa não precisava de se convencer que era o seu dever ajudar os pobres, para realmente ajudá-los. Sentia-se a mãe de todos eles. É isso o que faz o Espírito Santo: cria no fiel entranhas de mãe para todo homem. Só quem o possui pode compreender até que ponto somos irmãos, só quem o possui é realmente capaz de perdoar.

E, por outro lado, o homem cheio do Espírito Santo torna-se altamente capaz de tocar em profundidade qualquer coração com as palavras mais simples. É que recebeu o poder para lhes falar desde dentro do seu coração, e não já desde fora, porque o Espírito penetra todas as coisas. Bastava ao Santo Cura de Ars três ou quatro palavras no confessionário para transformar um penitente. Um simples “meu amigo, ama Deus!”, fazia-lhe entender quanto os seus pecados tinham feito sofrer Deus.

Mas onde encontramos o Espírito, como podemos encher-nos dele e derramá-lo como rios de água viva? Em Cristo. “Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo”, diz São João Baptista. Por isso, é necessário ir ao seu encontro. São João mostra-nos o caminho. Repete-nos que Ele está perto, ao alcance da mão. Basta querê-lo sinceramente. Não é preciso mais. Quem não o quer perde o Espírito, perde os abismos do amor.

Busquemo-lo na oração. Busquemo-lo na Eucaristia. Estar junto da Eucaristia, seja assistindo à Missa, seja adorando o Senhor exposto ou até mesmo no Sacrário, significa estar em presença de Cristo, uma presença viva que nos comunica o fogo do seu amor vivo.

As festas litúrgicas são também ocasiões que não devemos desperdiçar, onde Cristo quer tornar-se mais presente. Aproveitemos a festa Natal, fazendo dela não tanto um momento para dar ou receber coisas, mas um momento para estar com Deus. Em cada Natal, Cristo deseja incarnar-se com mais força nas nossas vidas. Que o nosso coração esteja aberto nesta ocasião. Aproveitemos estes dias do Advento para nos prepararmos.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Visita do Papa a Portugal - Maio 2010

Já está a ser noticiado o programa da vinda do Papa Bento XVI a Portugal.

Está como coordenador da visita pontíficia Dom Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa.

Segundo o que a agência Zenit noticiou, transcrevendo o seu texto:

«Bento XVI chega no dia 11 de maio, às 11h, ao aeroporto da Portela. Às 12h45, acontece a cerimônia de boas-vindas, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.

No início da tarde desse dia, às 13h30, o Papa faz uma visita de cortesia ao presidente da República, no Palácio de Belém. Depois, às 18h15, preside à Missa, em um local de Lisboa ainda a definir. Dom Carlos Azevedo destacou que será uma “grande celebração”, em algum “espaço largo” à beira rio do rio Tejo.

O bispo, que é presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa), disse que durante a eucaristia, o Papa deve deixar “uma mensagem fundamental para este tempo em que vivemos, que é o desafio da santidade”, tema da viagem.

No dia 12 de maio, Bento XVI encontra-se às 10h com o mundo da cultura, no Centro Cultural de Belém. Às 12h, estará com o primeiro-ministro, na Nunciatura Apostólica.

Às 16h40, o Papa parte em helicóptero para Fátima. Já às 17h30 visita a Capelinha das Aparições, no Santuário. Às 18h, preside às Vésperas com presbíteros, religiosos, seminaristas e diáconos, na Igreja da Santíssima Trindade. Encerrando o dia, às 21h30, cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, preside à Recitação do Rosário e Procissão das Velas.

No dia 13, às 10h, Bento XVI preside à Santa Missa, no Recinto do Santuário de Fátima.

No final da Eucaristia, o Papa visitará a Basílica do Santuário, onde estão os túmulos dos pastorinhos Francisco Marto, Jacinta Marto e Lúcia de Jesus.

O Papa almoça com os bispos de Portugal e com o séquito papal, às 13h, e às 17h mantém um encontro com as organizações da Pastoral Social, na Igreja da Santíssima Trindade. Às 18h45 acontece o encontro com os bispos de Portugal, na Casa de Nossa Senhora do Carmo, no Santuário de Fátima.

No último dia da viagem a Portugal, 14 de maio, Bento XVI despede-se, às 8h, da Casa Nossa Senhora do Carmo, e às 9h30 chega ao heliporto da Serra do Pilar, em Gaia. Às 10h15, preside à Santa Missa, na Avenida dos Aliados, no Porto. Às 13h30 haverá a cerimônia de despedida, no aeroporto internacional do Porto, de onde o Papa regressa à Itália.

Em cada diocese a ser visitada pelo Papa em Portugal, as celebrações terão um tema próprio. “Santidade e Evangelização”, em Lisboa; “Repartir com alegria”, em Fátima, e “Igreja é Missão”, no Porto.»

Como tudo na vida, e ainda faltando muito tempo para este evento, poderá o programa sofrer melhorias. De qualquer forma ficamos a conhecer a proposta de programa.

A equipa de Homilias e Orações

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

As Prendas da Minha Mãe

Esta minha primeira intervenção fora dos bastidores do blogue, e é para vos convidar a participar nele também.

Todos estamos convidados a participar com o nosso testemunho, vivência, evangelização, o que for para contribuir para o crescimento de todos, sem medo e sem qualquer constrangimento.

Estou a partilhar convosco algo que nunca fiz na minha vida, falar da minha mãe. Quando falo dela, falo também do meu pai, pois cada acção que ela teve, foi sempre em conjunto com ele, mas em quase todos os momentos ele esteve presencialmente ausente (devido à sua profissão, para ganhar o nosso pão), mas sempre no nosso coração, meu e dela.

Cada vez que penso nisso, revejo que Deus me começou a chamar para a vida cristã através de acções da minha mãe.

Ela é uma pessoa cristã, gosta imenso de participar na missa e demais acções e eventos da Igreja, liturgicos ou devotivos.

Foi baptizada "em série" na escola primária lá na aldeia, mas em termos de sacramentos, teve somente mais o do matrimónio que os uniu para gerar esta maravilhosa família que temos.

Começou a levar-me à igreja desde pequeno, participar na missa sempre que podiamos.

Depois, nem sabe bem ela porquê, mas lá me matriculou na escola Salesiana do Estoril (um dos meus primeiros e fundamentais passos no desenvolvimento católico), e a partir daí, fez questão que tivesse catequese, fizesse a primeira comunhão, e todos os passos até ser crismado (a mim e à minha irmã).

No dia da minha primeira comunhão, ofereceu-me um pequenino livro, "Caminho de Luz" que ainda está na minha mesa de cabeceira, agora casado, e após 27 anos de o receber, mas de vez em quando gosto de rever os princípios da doutrina cristã, quando temos algumas dúvidas sobre nós, convém rever a doutrina que professamos, ajuda a superar determinadas dificuldades da vida, quer na vida pessoal como profissional por vezes.

A seguir, a prenda que me deu, na comunhão solene, foi algo que lhes custou muito a adquirir, a Bíblia em banda desenhada, são 8 volumes de passagens da bíblia em banda desenhada, pois ela queria que eu a lêsse mas, se me comprasse uma bíblia em texto eu não a leria com 8 anos de idade devido ao tamanho do livro só com texto corrido, aí tive o meu primeiro contacto directo com a sagrada escritura, belos 10 contos que eles investiram na minha educação nessa altura...

Na catequese que tive na escola, foi algo de fantástico, tive comigo a orientar-me os professores, os auxiliares, a D. Conceição da secretaria, os padres salesianos, etc. a comunidade salesiana no seu todo envolveu-se no caminho da fé dos seus alunos, no que estou muito grato a todos eles.

Depois na Profissão de Fé, lá achou que me daria o missal dominical, para eu poder acompanhar melhor as leituras de Domingo, e foi fantástico, pois dias depois consegui entrar para os acólitos, e sentia uma "bengala" para saber de antemão as leituras do domingo em que ía acolitar. Nunca li na missa, pois era muito tímido e um dia em que experimentei ler, atrapalhei-me de tal forma que comecei a soluçar e a leitura foi péssima, nunca mais quis ler na missa... (em adulto lá consegui superar isso).

Mais tarde, ofereceu-me uma bíblia em formato normal, para que tivesse algo para ler mais comentado e agora para adolescente seria melhor, mais uma vez penso que não sabia directamente porquê, mas achava muito importante para a minha formação católica.

Quando fui crismado escolhi um livro da Liturgia das Horas (a versão que é em livro único) que nem eu sabia bem o que era aquilo, mas como num retiro tinha ouvido a oração de laudes, pensei que seria bom ter um livro onde isso estivesse, e pedi-lhe isso, e garanto que esteve guardado anos sem lhe mexer, devido à grande dificuldade que tinha em saber a sequência de o manusear.

Na grande crise de fé que tive entre os 17 e 20 anos, não me largou para compreender o meu problema de fé, e em conjunto com o Pe. Antoine (na altura o António francês) e outros amigos chegados me conseguiram fazer ver onde está Ele.

Quando aos 21 anos entrei nos missionários lembro-em que o meu mestre me disse que Deus tem uma bela história de amor para fazer comigo, na altura fiquei um pouco assustado, e pensei porquê eu (estava a pensar egocentricamente), mas hoje vejo que isso é assim, não para mim, mas para todos nós no mundo, seja rapaz ou rapariga, seja religioso ou casado. Esta mensagem que o meu mestre me deu toca-me no coração e hoje não tenho medo dela, esses breves 4 meses que estive com eles, deram-me a conhecer muita coisa, despertei o bichinho pela Liturgia através do Frei Vitor (embora conheça muito pouco, mas é algo que quero continuamente estudar com a ajuda de quem percebe dela), a sagrada escritura (o mundo que está na sua mensagem, e aí contei com a ajuda do Pe. António Rivero, LC, mesmo sem o conhecer, deu-me material para tirar partido da palavra de Deus o melhor que posso) e também o meu então pároco me deu a dica por onde começar, pelo Novo Testamento e depois passar ao Antigo Testamento (e está a correr bem, garanto-vos). Outra coisa que aprendi nos missionários, foi com uma questão que lhes coloquei no início da minha semana vocacional com eles: "Porquê missionários em Portugal, se há tanto que fazer em África e na América Latina?" a resposta foi imediata: "Em Portugal há muita miséria, também há muito que fazer cá, temos que olhar pelos nossos que sofrem também". Eu que vivo neste país de Camões e ainda não tinha percebido isso... os 4 meses que lá estive foi uma experiência grande enriquecedora humanamente e espiritualmente falando, pois desde os 17 velhotes doentes em estado terminal e o serviço comunitário aos pobres, em especial os que não tinham alimentos (foi uma enorme facada no coração distribuir pela primeira vez na minha vida, alimentos pelos que não têm sequer um frigorífico onde os guardar, nessa noite chorei mesmo de comoção).

Enfim, mais uma vez fruto das prendas da minha mãe, que me quis dar uma educação e formação católica, e se calhar nem ela sabe bem porque me deu essas prendas, mas que contribuiram para os passos que a minha vida tem dado, e não queria acabar este desabafo, sem deixar a todos uma prenda que ela me deu também, um pequeno postal das edições paulinas com a seguinte frase: "Senhor, dá-me coragem para mudar o que tem que ser mudado. Dá-me serenidade para aceitar o que não pode ser mudado, e Sabedoria para distinguir uma coisa da outra." Este cartão veio numa altura de tomar decisões difíceis para mim, e hoje acompanha-me na capa do meu breviário, e na minha mente.

Penso para comigo, que todas estas ofertas tenham sido do coração deles (os meus pais), mas com inspiração divina, a modo de influenciarem o rumo da minha vida.

E as palavras do Frei José António são para todos nós "Deus tem uma bela história de amor para fazer contigo".

Agora casado e com o meu emprego na área da informática, vejo que Deus tem uma grande história de amor a fazer com todos nós.

Por isso agradeço muito a Deus, todas estas prendas da minha mãe...


Pedro Mestre

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Grupo de Oração pelos Doentes

Caros amigos,

Desde o início do blogue temos o "Grupo de Oração pelos Doentes", é algo que queremos divulgar pelos nossos amigos e todos os internautas interessados. Temos como objectivo criar uma rede de pessoas que queiram incluir na sua oração diária as necessidades que outros possam ter no que diz respeito à saúde.

Quem necessitar de orações (para si ou para outros) basta enviar-nos um e-mail indicando o nome (basta o primeiro nome) e o motivo do pedido (operação, internamento súbito, doença súbita, caso crónico...), o qual sempre deverá estar ligado ao âmbito da saúde.

Tanto para fazer os pedidos, como para aderir ao grupo basta enviar o e-mail para homiliaseoracoes@gmail.com

A equipa,
Homilias e Orações